MARTINS ALHO 8 | PORTO
Objetivo
Reabilitação de um prédio urbano, inserido na Área de reabilitação urbana do Centro Histórico do Porto (classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1996), com um programa que previa 6 frações de Habitação (Penthouse, T2 e T1) e 2 frações de Comércio.
Pré-existência
Localizado no coração do quarteirão Martins Alho (n.º 14026), o Edifício a intervir apresentava uma forma bastante irregular, tanto ao nível planimétrico como volumétrico.
A diversidade de fachadas e volumetrias, que se tocam e justapõem, bem como as ligações internas, por vezes caóticas, denunciavam a sucessão de alterações, adaptações e apropriações a que o edifício esteve sujeito ao longo do século XIX e XX.
Martins Alho apresentava, e manteve, 3 fachadas: uma virada para o Largo Afonso Martins Alho, uma para a Rua Mouzinho da Silveira e, por fim, uma para um Saguão existente no seu Tardoz, que serve em simultâneo 4 edifícios e que lhes proporciona um acesso a iluminação e ventilação natural.
Princípios
As características especiais da pré-existência e a obrigatoriedade de manutenção das suas fachadas, foram determinantes para a solução arquitetónica adotada, tanto ao nível das opções construtivas como da organização interior.
Desde o primeiro momento entendemos que a diversidade que o edifício apresentava seria uma premissa a valorizar e através da qual deveríamos encontrar as soluções. Durante o processo, fomos procurando tirar partido dessa mesma diversidade, fosse ela na forma de resolver as diferenças de cota, as diferentes confrontações ou até os limites impostos por um edifício tão “enraizado” na malha urbana.
Esta mesma premissa, em consonância com o programa apresentado pelo cliente, ditaram uma linha condutora de projeto que rapidamente nos encaminhou para opções como:
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Recuperação e/ou reprodução de todos os elementos alvenaria de pedra, reboco, azulejaria e serralharia presentes nas fachadas de rua que servem o Largo Afonso Martins Alho e a Rua Mouzinho da Silveira;
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Hierarquização e clarificação dos espaços, como forma de controlo da diversidade apresentada;
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Iluminação e ventilação natural através de pátios ou clarabóias (tanto em espaços comuns como privados);
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Atribuição de um cariz de acolhimento, privilegiando o conforto e a permeabilidade dos espaços comuns de acesso e ligação às diferentes frações, como sendo o átrio de receção, escadas ou patamares comuns. Estes funcionam como um momento de “Boas-vindas”.
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Recurso a meios pisos para resolver as diferenças de cota que os alçados apresentam entre si;
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No interior das frações - espaços comuns com a maior amplitude possível e áreas de circulação reduzidas ao mínimo indispensável, como forma de colmatar a falta de área disponível,
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Valorização dos materiais e cores da história do edificado, como sendo a cor das paredes e vãos dos alçados, a madeira maciça dos pavimentos, as carpintarias lacadas, os panos de azulejo novo e pré-existente, a telha cerâmica, etc.
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Recurso a elementos modernos que se deixam contaminar pela história do edificado, através do recurso ao betão aparente como elemento estrutural dos patamares e escadas, à madeira maciça nas guardas e revestimento dos degraus, ao painel de azulejo e à luz zenital que percorre a parede de alvenaria de pedra centenária recuperada e devolvida ao edifício.
Ficha Técnica
Cliente
Morningserenity, Lda
Local
Rua Afonso Martins Alho, nº8, Porto, Portugal
Latitude: 41°8'40.35"N
Longitude: 8°36'43.47"W
Categoria
Habitação & Comércio
Data do Projecto
2016 / 2017
Conclusão da Obra
2018
Arquitetura
ARCHITAILORS – Eduardo Cruz e Carlos Praça in partnership with Pedro Leal
Eng. Estrut., Hidr. e Gás
NEWTON Engenharia
Eng. Inst. Mecânicas e Term.
GM Engenharia
Eng. Inst. Elétricas
IGEMACI Engenharia
Constructor
EDIAMARANTE
Fiscalização
EPOCA
Fotografia
João Morgado

























